
Quando faltam duas semanas para a eleição, estabilidade é uma palavra que tranquiliza quem lidera e atormenta quem precisa virar. Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) mantém uma distância relativamente constante de João Campos (PSB). A governadora pode administrar o relógio. O candidato do PSB já precisa lutar contra ele.
As pesquisas mais recentes mostram pequenas oscilações, mas preservam o desenho da disputa. O Datafolha colocou Raquel com 47% e João com 42%. Na Quaest, a governadora apareceu com 43% e o adversário com 37%. A diferença muda um pouco entre os institutos, porém permanece na mesma faixa. Em ambos, Raquel lidera.
Essa estabilidade tem efeitos completamente diferentes para os dois lados. Raquel conserva a vantagem sem precisar produzir uma novidade por semana. João vê o calendário avançar sem conseguir transformar esforço de campanha em reação consistente. Pode ganhar um ponto aqui, outro ali, melhorar algum indicador específico. Ainda não conseguiu criar a sensação de que a eleição mudou de rumo.
A propaganda eleitoral começou, os candidatos percorreram o estado, concederam entrevistas, participaram de sabatinas e estiveram frente a frente em debate. A campanha aconteceu. O eleitor recebeu mais informações e teve oportunidades de rever suas escolhas. Até agora, o resultado foi a preservação da liderança de Raquel.
João já não disputa somente votos com a governadora. Disputa dias com o calendário. Para quem está na frente, cada semana sem alteração relevante representa uma etapa vencida. Para quem está atrás, significa uma oportunidade perdida.
Igor Maciel/Jornal do Commercio