Lula não virá mais a Pernambuco neste primeiro turno e deixa o prejuízo do PSB com o PSB

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Lula (PT) era esperado pelo PSB, em Pernambuco, no último dia 20, mas não veio. Ele nunca chegou a confirmar, é verdade, mas a situação da campanha socialista no estado pedia um reforço, que não aconteceu. Muitos podem ter, finalmente, entendido algo que estava claro no início dessa discussão entre PT e PSB, mas que foi ignorado, numa espécie de fuga de realidade apoiada em dissonância cognitiva: a prioridade de Lula é Lula, depois vem o PT. E, a sequência depende da conveniência.

Para Lula, a situação está controlada por aqui. Ele ganha, mesmo se o PSB não ganhar. Porque quem lidera o primeiro turno para o governo é Marília Arraes (SD) e quem lidera para o Senado é Teresa Leitão (PT). Ambas trabalham por ele.

Lula lidera em Pernambuco com uma folga imensa que independe de o PSB gostar ou não da ausência física dele. Os socialistas se deixaram amarrar pela promessa de cargos numa aliança nacional e, agora, tem pouca margem para fazer qualquer exigência. Hoje, só duas coisas importam para o lulismo nos estados: primeiro, é preciso ter um representante no segundo turno (e é melhor que haja segundo turno nas eleições locais). Depois, é preciso garantir que, em cada estado, ele tenha uma margem considerável de intenções de voto depositadas nas candidaturas que lhe apoiam.

Por aqui, Marília está garantida no segundo turno e a vantagem de Lula vai além dos dois candidatos que pedem voto para ele. Uma tem cerca de 30% e outro chega a 10%. Lula tem 60% no estado. O cenário é tranquilo e atende as especificações da estratégia.

Por que ele viria perder tempo aqui, se pode gastar seus últimos dias de campanha em São Paulo, Minas Gerais ou na Bahia, onde realmente precisa de votos.

O PSB de Pernambuco caiu num conto estranho, o de que Lula faria qualquer coisa pela eleição de um candidato da Frente Popular aqui. Agora está tendo que administrar o prejuízo sozinho.

Por Igor Maciel da coluna Cena Politica