PSD aciona TRE após outdoors da Prefeitura do Recife chegarem ao interior e apontarem promoção antecipada de João Campos

Placa da Prefeitura de Recife, no interior do estado

O uso de outdoors da Prefeitura do Recife em municípios do interior de Pernambuco levou o PSD estadual a recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) contra o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e o atual prefeito da capital, Victor Marques (PCdoB).

Na ação, o partido sustenta que a campanha institucional, veiculada com recursos públicos e identidade visual da administração municipal, extrapola o caráter turístico alegado pela gestão e promove realizações associadas ao período em que João Campos comandava a prefeitura, o que, segundo a legenda, pode configurar propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidatura do ex-prefeito ao Governo do Estado em 2026.

A representação tem como foco a campanha “Recife, dá gosto de mostrar pro mundo”, acompanhada do slogan “Recife é pra ficar”, cujos outdoors foram instalados em cidades como Caruaru, Vitória de Santo Antão e Sairé. As peças exibem imagens da nova Orla de Boa Viagem, pontes, parques e praças, utilizando a identidade visual da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Turismo e Lazer.

Na avaliação do PSD, o conteúdo das peças não corresponde a uma campanha voltada à promoção do destino turístico da capital. A legenda argumenta que, em vez de divulgar praias, gastronomia, patrimônio histórico, eventos ou roteiros turísticos, os outdoors e vídeos enfatizam obras e ações administrativas, como creches, hospitais, contenção de encostas, pontes e praças. Para o partido, a narrativa turística serviria apenas como justificativa para divulgar realizações da gestão de João Campos em diferentes regiões do Estado.

A ação atribui a Victor Marques a responsabilidade pela autorização, contratação e manutenção da campanha publicitária, enquanto aponta João Campos como beneficiário político da divulgação. Segundo o PSD, a escolha de municípios fora da Região Metropolitana evidencia que a publicidade deixou de ter caráter informativo para os moradores do Recife e passou a alcançar diretamente eleitores de outras regiões de Pernambuco, justamente no período de pré-campanha para as eleições estaduais.

Outro ponto levantado pelo partido diz respeito ao financiamento da campanha. Conforme a representação, a Secretaria de Turismo e Lazer do Recife recebeu, em 6 de maio, um crédito suplementar de R$ 2,236 milhões, autorizado pelo Decreto Municipal nº 39.724/2026, já na gestão de Victor Marques. Desse montante, R$ 2,2 milhões foram destinados à promoção do programa “Destino Recife”, após remanejamento de recursos originalmente previstos para pensionistas e inativos do sistema previdenciário municipal.

Para o PSD, a combinação entre o reforço orçamentário, o alcance estadual da campanha, o conteúdo das peças e o momento político demonstra uma estratégia de promoção da imagem de João Campos sem que os gastos sejam contabilizados como despesas de pré-campanha.

Na ação, o partido pede a suspensão imediata da publicidade institucional em todos os municípios fora do Recife, com a retirada dos outdoors e interrupção das peças audiovisuais e radiofônicas até o fim das eleições de 2026. Também solicita que a Prefeitura informe o número de placas contratadas, suas localizações, os valores investidos, além da apresentação dos contratos, planos de mídia e documentos orçamentários.

A legenda requer ainda a aplicação de multas aos responsáveis, o encaminhamento do caso ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apuração de eventual dano ao erário e deixa aberta a possibilidade de futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico, que poderá incluir pedido de inelegibilidade após o registro das candidaturas.

Prefeitura nega irregularidades

Em nota, a Prefeitura do Recife informou que ainda não foi notificada oficialmente pela Justiça Eleitoral, mas afirmou estar à disposição dos órgãos de controle para prestar os esclarecimentos necessários.

A gestão municipal sustenta que a campanha tem finalidade exclusivamente turística e que as peças questionadas representam apenas parte de um conjunto mais amplo de divulgação do destino Recife.

Segundo a administração, a estratégia foi elaborada com base em pesquisas realizadas nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs), que apontaram moradores de outras cidades pernambucanas como o principal público em busca de informações sobre a capital.

Ainda de acordo com a Prefeitura, o conceito da campanha parte da premissa de que “uma cidade boa para viver também é uma cidade boa para visitar”, destacando que melhorias em parques, mercados públicos, praças e na orla também contribuem para a experiência dos visitantes.

A gestão afirma que o portfólio completo inclui atrativos como Marco Zero, Parque das Esculturas, Paço do Frevo, Rua do Bom Jesus, Circuito Sagrado, Forte do Brum, passeios de catamarã pelo Capibaribe, Instituto Ricardo Brennand e outros equipamentos turísticos, negando que a publicidade tenha finalidade de promoção pessoal de qualquer gestor público.