
A Polícia Civil avançou na investigação de um forte esquema de desvio de armas de fogo, que envolvia CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) e policiais militares, no Sertão de Pernambuco. Uma operação, na quarta-feira (20), cumpriu mandados de busca e apreensão, fechou clubes de tiro e conseguiu recolher 57 armas.
A investigação começou em março de 2025 para apurar um homicídio ocorrido no município de Serra Talhada. Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou uma organização criminosa voltada à compra e revenda clandestina de armas, acessórios e munições.
Segundo a polícia, os CACs e os policiais eram usados como “laranjas” para adquirir as armas de forma aparentemente regular junto a fabricantes e estabelecimentos autorizados.
“Pessoas eram recrutadas para ceder documentos em troca de pagamento, enquanto o verdadeiro destinatário das armas era ocultado por meio de notas fiscais emitidas em nome de terceiros”, explicou o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE).
Posteriormente, as armas e munições eram revendidas para integrantes de organizações criminosas que atuam no Sertão do Estado.
CLUBE DE TIRO INTERDITADO
A primeira operação, denominada Forja, foi deflagrada em janeiro deste ano, quando foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. Houve afastamento de policiais militares das funções e três suspeitos foram presos em flagrante.
Já na segunda etapa, nessa quarta-feira, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar, além da suspensão judicial das atividades econômicas de um clube de tiro em Serra Talhada, que era usado para o desvio de armas e munições para o mercado clandestino.
“Apesar de o estabelecimento atuar com aparência de legalidade há cerca de cinco anos, o fluxo de saída das mercadorias levantou suspeitas. A investigação identificou que o clube estaria sendo utilizado para facilitar o fornecimento de armamentos a pessoas ligadas ao crime organizado”, informou, em nota, a Polícia Civil.
Nas duas fases da operação, 66 armas recolhidas e quase 4 mil munições apreendidas.
Quinze investigados, cujos nomes não foram revelados, devem responder por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo e alguns por lavagem de capitais e falsidade ideológica comércio ilegal de arma de fogo e falsidade ideológica.