
Em 8 de agosto, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará, junto à ONG de proteção à infância Visão Mundial, enviou um ofício à Secretaria de Educação do Ceará solicitando a transferência de um aluno da Escola Estadual Luis Felipe, em Sobral, por eles receberem ameaças. As informações são da Folha de São Paulo.
Nesta quinta-feira (25), um ataque à unidade de ensino matou dois estudantes e feriu outros três.
Uma das vítimas, assim como outros alunos, vivia em uma comunidade chamada Nova Caiçara. Segundo a polícia, ela é dominada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), organização rival do Comando Vermelho. que atua em Campo dos Velhos, bairro onde está a escola Luis Felipe.
Ao ir de um local ao outro, os estudantes são ameaçados pelos integrantes das facções. Já no caminho, recebem juras de morte, também enviadas por mensagens, segundo relatos recolhidos pela Visão Mundial.
Por isso, a ONG e o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente disse que encaminharam um pedido ao governo Elmano de Freitas (PT) para que ao menos um desses adolescentes fosse transferido urgentemente para uma escola em Nova Caiçara. Por medo, ele havia perdido todas as aulas no primeiro semestre deste ano, acumulando 125 faltas, diz o ofício. Antes disso, era muito ativo e tinha boas notas.
O documento foi encaminhado por email a uma mulher que trabalha na Célula de Mediação Escolar, Justiça Restaurativa e Cultura de paz da Secretaria da Educação estadual.
A reportagem teve acesso ao documento e ao email no qual ele foi enviado à pasta.
“A secretaria respondeu que não tinha vaga para isso”, disse Régis Pereira, responsável dentro da ONG por acompanhar o caso do adolescente.
A reportagem procurou a Secretaria de Educação sobre o caso, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
O aluno voltou à escola Luis Felipe no segundo semestre, afirma a ONG. Nesta manhã, ele estava na unidade e não foi atingido pelos disparos. Um dos mortos era seu vizinho.
“A única possibilidade para quem vive nessa disputa de facções é não se deslocar. Todos sabem disso, e o governo deve garantir que o adolescente fique em seu bairro”, diz Régis. Continuar transitando pela cidade é um assinar o próprio atestado de óbito, afirma.