Esquema de fraude bilionária das Americanas envolveu cerca de 60 funcionários, diz jornal

Ao menos 60 funcionários fizeram parte de práticas irregulares para acobertar a fraude bilionária da Americanas. A lista foi apurada pelo Estadão/Broadcast, em contato com fontes ligadas à empresa. Nesta quinta-feira, 27, a Polícia Federal deflagrou a Operação Disclosure, em que cumpre mandados de prisão de executivos suspeitos de atuarem nas fraudes bancárias.

As fontes ouvidas pelo jornal detalharam que muitos executivos passavam mais tempo tentando esconder as irregularidades do que, de fato, trabalhando na gestão da empresa. A Americanas se defende afirmando que foi vítima de uma fraude de resultados pela sua antiga diretoria.

A nova gestão, que também investiga as fraudes internamente, pode buscar um ressarcimento bilionário frente aos antigos diretores. Em depoimento à CPI das Americanas, foi informado que, em 10 anos, a diretoria da empresa recebeu R$ 700 milhões em salários e bônus. Comprovado que os resultados foram forjados propositalmente, as remunerações variáveis pagas com base no desempenho falso teriam de retornar ao caixa da Americanas.

Na apuração interna, que se estendeu por 17 meses, executivos foram chamados para prestar depoimentos e, ainda de acordo com o Estadão/Broadcast, alguns apresentaram resistência. Mas o ex-presidente do grupo, Miguel Gutierrez, que teve hoje o pedido de prisão decretado, está entre os que teriam colaborado com o processo, com três depoimentos e cerca de 16 horas de gravação.