
O SINPOL-PE identificou um número alarmante da violência armada na Região Metropolitana do Recife. Segundo os dados do Instituto Fogo Cruzado, só no mês de outubro, 27 pessoas foram baleadas dentro de casa (14 mortas e 13 feridas) e outras 14 foram atingidas em bares (duas mortas e 12 feridas). De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, Rafael Cavalcanti, esses dados são reflexo de uma “carioquização” da violência em Pernambuco.
“Esses dados são reflexo de uma “carioquização” da violência no nosso Estado onde o crime organizado vem entrando e tomando conta do tráfico, rivalizando ou fazendo parcerias com organizações criminosas locais. Ao mesmo tempo essa difusão indiscriminada de armas de fogo que de alguma forma acabam parando, por desvios ou por roubos e furtos, nas mãos da criminalidade. A criminalidade se abastece quando você tem mais acesso e um varejo maior de armas. O número crescente de armas à disposição colocam os Policiais em mais riscos dentro de um Estado onde nós já não temos treinamento constante, efetivo e estrutura”, aponta Rafael Cavalcanti.
Essa “carioquização” da criminalidade em Pernambuco está sendo refletida nessa quantidade de tiroteios dentro de casa e nos de bares, e consequentemente no aumento no número de vítimas de balas perdidas. Para o presidente do SINPOL-PE, as armas devem estar nas mãos dos profissionais de Segurança Pública e não com a sociedade civil comum nem muito menos com bandidos.
“São números muito preocupantes, pois defendemos que as armas devem estar nas mãos desses profissionais de Segurança Pública. A vantagem do Policial é justamente ele ter a capacidade de operar uma arma de fogo, mas isso está sendo diluído principalmente diante das do uso de armas pelas mais variadas pessoas, que não tem as mesmas amarras legais que os profissionais de Segurança Pública têm”, enfatiza Rafael.
Durante o mês de outubro, houve 159 tiroteios/disparos de arma de fogo na Região Metropolitana do Recife, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano passado, que acumulou 151 tiroteios. Além disso, cresceu também o número de baleados. Ao menos 191 pessoas foram baleadas no Grande Recife: 115 morreram e 76 ficaram feridas. Um acréscimo de 14% entre os mortos e de 27% entre os feridos em comparação com outubro de 2021, que deixou 161 baleados: 101 mortos e 60 feridos.
Ainda de acordo com Rafael, para que esses números sejam reduzidos é preciso fortalecer os mecanismos de combate a violência: melhorar a estrutura, valorizar os Policiais e atacar o nascedouro da criminalidade com combate à desigualdade e políticas sociais efetivas e perenes. Para isso, é fundamental que o Estado exerça seu papel.
“Devemos ter muito claras quais são as premissas do combate a violência e a criminalidade: Preventivamente, o combate à desigualdade. Paralelamente é fundamental fortalecer a estrutura, capacitar e valorizar os profissionais de Segurança e Policiais para que a gente possa fazer um enfrentamento adequado a essas situações, e que essas armas não estejam de tão fácil acesso para a população comum e para que a gente não veja, muitas vezes, indivíduos querendo resolver suas questões pessoais se sobrepondo e utilizando de meios tão violentos para impor a sua “verdade” ou a sua vontade por meio de uma arma de fogo. Esse papel é do Estado por meio da Polícia e por meio do Poder Judiciário. Não podemos deixar que Pernambuco siga a violência que tanto nos chocava ao longe, como no Rio de Janeiro, se estabelecer aqui”, finaliza o presidente do SINPOL-PE.