“Fim das buscas é a notícia que não quero dar”, diz bombeiro sobre Brumadinho

'Neste momento é um pouco precipitado', diz tenente sobre encerramento das buscas em Brumadinho.  

Com uma voz tranquila, fala articulada, aspecto sereno, o tenente Pedro Aihara, de 25 anos, se tornou a face da atuação do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais no resgate das vítimas da tragédia da Vale, em Brumadinho. Desde as primeiras horas após o desastre, é esse bombeiro, de ascendência japonesa, quem aparece em frente às câmeras explicando como estão os trabalhos em campo, desmentindo boatos, acalmando a população. E contando: um número cada vez maior de mortos e a ocorrência ainda de mais de duas centenas de desaparecidos.

Não é com a imprensa, porém, com quem o porta-voz da corporação se preocupa na hora de elaborar como vai transmitir o que parece serem infindáveis más notícias. “Eu venho com a perspectiva do familiar que perdeu uma pessoa e está nos assistindo em um momento delicado, de muita dor. Minha preocupação é com a pessoa que foi afetada de alguma maneira, que ela se sinta minimamente acolhida. Que ela possa perceber que está sendo feito um trabalho de responsabilidade”, me disse no intervalo de um breve lanche na manhã desta sexta-feira, 1, exatamente uma semana após desembarcar em Brumadinho, pouco tempo depois do rompimento da barragem.