Raquel Lyra pede à Justiça que João Campos esclareça acusação sobre “milícia digital”

Governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD)

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) apresentou à Justiça uma interpelação criminal para que o candidato João Campos (PSB) esclareça a quem se referiu ao afirmar que “quem senta na cadeira para governar Pernambuco” não poderia coordenar uma suposta “milícia digital”. A medida foi divulgada pela campanha da governadora nesta sexta-feira (28).

A declaração de João foi feita em um vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (26), após a repercussão de uma reportagem da TV Record sobre um suposto esquema de páginas e perfis digitais voltados a ataques contra o socialista e outros adversários políticos.

No vídeo, João afirmou que denunciava há mais de um ano a existência de um suposto “gabinete do ódio” e relacionou a estrutura ao Palácio do Campo das Princesas.

“Quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital para atacar os seus adversários, nem usar dinheiro público para isso”, afirmou o candidato na ocasião.

A interpelação apresentada por Raquel tem como fundamento o artigo 144 do Código Penal, que permite a quem se considera ofendido por referências, alusões ou frases pedir explicações em juízo. A medida não representa, neste momento, uma queixa-crime ou um pedido de condenação contra João.

Raquel pede identificação

Segundo a campanha da governadora, a interpelação busca fazer com que João identifique de maneira precisa a quem atribuiu a coordenação da suposta estrutura e apresente os fatos nos quais baseou a declaração.

Na peça, a defesa de Raquel argumenta que João não teria feito apenas uma crítica política, mas atribuído à administração estadual a liderança de uma estrutura clandestina voltada à prática de atos ilícitos.

Os advogados também sustentam que o emprego da expressão “milícia digital”, sem a identificação dos supostos responsáveis, teria ultrapassado os limites da crítica política.

Com a medida, Raquel pede que o socialista esclareça o destinatário das declarações e os elementos utilizados para fazer a acusação.

Segundo trecho da interpelação divulgado pela campanha, quem faz uma acusação dessa natureza “tem o dever de nominar a pessoa a quem acusa e se responsabilizar pelos seus atos”.