
Pelo segundo ano, os pernambucanos se deparam com um silêncio incomum na Semana Santa. Em Fazenda Nova, no município do Brejo da Madre de Deus, o vaivém de pessoas de todo o Brasil deu lugar às ruas vazias. No Recife, o canto dos martelos que estariam montando palco no Marco Zero foi substituído pelo ruído dos poucos carros que transitam pelo Bairro do Recife. O mesmo acontece em outras cidades, como Limoeiro, que nesta época do ano também estaria prestes a realizar sua Paixão de Cristo.
O espetáculo tradicionalmente reproduzido do Litoral ao Sertão pernambucano durante a Semana Santa não pode ser realizado neste ano, assim como no passado, em detrimento da pandemia. Se o impacto espiritual do cancelamento é imensurável, o artístico e turístico faz-se sentir através do prejuízo econômico para quem tradicionalmente está envolvido com essa atividade.
Somente com o cancelamento da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova, considerado o segundo maior evento religioso do Brasil, estima-se que 1,5 mil empregos diretos e 8 mil indiretos deixaram de existir nestes dois anos sem espetáculo, de acordo com dados da Sociedade Teatral de Fazenda Nova. O impacto também é sentido em Caruaru, onde seriam esperados cerca de 250 mil turistas e uma injeção de mais de R$ 200 milhões na economia local.