Pela primeira vez, a Operação Complice Zero está mirando políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta nona fase, o principal alvo é o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT na Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a suposta participação de Wagner no esquema.
Em fases anteriores, a PF já mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Wagner teria recebido pagamentos do Banco Master durante anos pela empresa da enteada Bonnie Bonilha, através de um contrato de consultoria que totalizou R$ 11 milhões em recebimentos. Ele também teria viajado com frequência em jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo informações do jornal O Globo
Além de mandados de busca e apreensão cumprindos em endereços do senador, a operação também tem como alvo o empresário Augusto Lima. Ex-sócio de Vorcaro, ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa.
No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.
O empresário chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Lima é influente na Bahia com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.