Ministro do STJ afastado por denúncia de assédio sexual mantém salário de R$ 100 mil com penduricalhos

O afastamento impede que o ministro compareça ao STJ e exerça as suas funções enquanto durar o processo administrativo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Buzzi, afastado do cargo há dois meses após abertura de sindicância por denúncias de assédio sexual, continua recebendo a mesma remuneração de quando estava em atividade, cerca de R$ 100 mil líquidos.

Buzzi foi afastado do cargo no dia 10 de fevereiro após o STJ instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar as denúncias de crimes sexuais. Naquele mês, o ministro recebeu R$ 132 mil brutos do tribunal, o que correspondeu a R$ 106 mil líquidos.

Em março, primeiro mês do afastamento do ministro, o vencimento líquido chegou a R$ 101 mil mesmo sem trabalhar. O salário base de um membro do STJ é R$ 44 mil, mas Buzzi e outros ministros conseguem mais que duplicar esse valor com penduricalhos descritos como “indenizações ” e “vantagens pessoais”.

O STJ não especifica quais penduricalhos o ministro fez jus para receber o salário de R$ 100 mil, mas cita que, dentre as indenizações, podem constar auxílio-alimentação, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, auxílio-saúde, auxílio-natalidade, auxílio-moradia e outras ajuda de custo.

Já em relação às “vantagens pessoais”, Buzzi pode ter recebido os penduricalhos conhecidos como “adicional por tempo de serviço, quintos, décimos e vantagens decorrentes de sentença judicial ou extensão administrativa, e abono de permanência”.

Em nota, o STJ afirmou que o PAD ao qual Buzzi responde foi levado ao plenário no dia 14 de abril e que neste mês “ele receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos”. Ou seja, “indenizações ” e “vantagens pessoais” não serão pagas.