Grupo é suspeito de fraudes em concursos de Pernambuco há mais de 10 anos; PMs estão entre os presos

Operações cumprem mandados contra grupo que fraudou concursos públicos em Pernambuco

A investigação da Polícia Civil contra a fraude no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) realizado no ano passado identificou um grupo criminoso fortemente organizado que está atuando há pelo menos dez anos no Estado e que é suspeito de praticar crimes para aprovar candidatos em seleções públicas em áreas como saúde e segurança.

Duas operações foram deflagradas nesta quarta-feira (25) pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, sendo uma relacionada à captura de suspeitos de integrar o grupo suspeito de fraude no concurso de técnico do TJPE, que foi anulado. Denominada Kyma, a operação cumpriu nove dos 11 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Entre os presos estão servidores públicos, incluindo três policiais militares, sendo dois de Pernambuco e um do Piauí.

A outra operação, chamada de Crivo, investiga fraude no concurso público do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), também realizado no ano passado e que foi suspenso diante dos indícios de crimes. A polícia apura se investigados nessa operação têm ligação com a organização que atuou na seleção do TJPE. Por enquanto, somente mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Responsável pela investigação da fraude no concurso do TJPE, realizado em 21 de setembro, o delegado Júlio César Pinheiro explicou que as investigações começaram no final de novembro de 2025, após denúncias encaminhadas à polícia. A partir do avanço do inquérito, ficou comprovado o vazamento do gabarito das provas e integrantes do grupo foram identificados.

“Normalmente era pago, a título de entrada, um valor para cobrir todo esse custo logístico e de equipamentos, que variava de R$ 2 mil a R$ 5 mil. Se conseguisse ingressar, pagaria algo em torno de R$ 50 mil a R$ 70 mil, a depender do cargo”, detalhou.

Os nomes dos envolvidos não foram revelados. O líder do grupo está preso no Centro de Observação e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, por crime semelhante.

A polícia confirmou ainda que um PM de Pernambuco e outro do Piauí presos na operação integram o grupo, participando da logística de distribuição de equipamentos usados nas fraudes. Já outro PM de Pernambuco pagou pelo gabarito da prova do TJPE.

Um guarda municipal do Rio Grande do Norte e um policial penal também estão entre os investigados.