Polícia Federal indicia deputado federal e cita relação suspeita com família de Safadão

O deputado Júnior Mano (PSB-CE), na CâmaraUma investigação da PF (Polícia Federal) expôs uma relação próxima e considerada suspeita entre o deputado federal Junior Mano (PSB-CE) e a família do cantor Wesley Safadão.

O relatório final do inquérito, enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), aponta para um “entranhamento operacional” envolvendo pedidos de patrocínio suspeitos, uso de aeronaves para fins eleitorais e até a presença de familiares do cantor em endereços do parlamentar.

O deputado federal é pré-candidato ao Senado no Ceará com apoio do senador Cid Gomes (PSB-CE) para integrar a chapa da reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).

“O inquérito evidencia que o relacionamento próximo entre o parlamentar e os familiares de Wesley Safadão não se limitou a fotografias, agendas e cordialidade: ele transbordou para a gestão concreta de interesses”, diz o relatório da PF.

Apesar de citados, Safadão e familiares não foram indiciados pela PF. Já o deputado é citado como chefe de uma organização criminosa e foi indicado por quatro crimes. Junior diz que não cometeu irregularidade e reclama do vazamento de informações com “fins políticos”.

Pedido de “patrocínio”

Um dos pontos centrais da investigação é o diálogo interceptado entre Junior Mano e Wesley Safadão. Em 2024, o deputado solicitou diretamente ao cantor um aporte financeiro para um evento em Nova Russas, cidade administrada por sua esposa, Giordanna Mano (PRD).

“Wesley responde que tratará do assunto no dia seguinte, por estar saindo para uma oração. A construção do texto capturado indica trato direto e sem intermediários”, cita o relatório.