Duas pessoas agredidas pela PM em protesto contra o governo Bolsonaro no Recife correm risco de perder a visão

Hugo Muniz / Divulgação

Pelo menos três pessoas ficaram feridas por tiros de balas de borracha durante a dispersão do protesto contra o governo Bolsonaro pela Polícia Militar, no início da tarde deste sábado (29), no Centro do Recife. Duas delas, inclusive, foram feridas nos olhos e correm risco de perder a visão, segundo informações repassadas às famílias. E nenhuma das duas fazia parte do ato, apenas passavam pelo Centro no momento da confusão. As vítimas foram socorridas para o Hospital da Restauração, no Derby, área central da capital. O governador Paulo Câmara determinou o afastamento do oficial que comandou ação.

Uma delas é o adesivador Daniel Campelo da Silva, 51 anos, ferido por um tiro no olho esquerdo. O segundo é o arrumador Jonas Correia de França, 29, baleado na testa e no olho direito. Daniel Campelo da Silva, conhecido como Daniel Adesivos, morador do bairro dos Torrões, na Zona Oeste do Recife, caminhava pela Ponte Duarte Coelho, na Boa Vista e ponto onde teve início a dispersão feita com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta, quando foi ferido.

A outra pessoa atendida no HR, segundo informações da unidade, foi Edinaldo Pereira de Lima, 58 anos, ferido na perna esquerda e liberado após ser medicado. Daniel e Jonas receberam os primeiros atendimentos na unidade e depois foram encaminhados para a Clínica Oftalmológica Altino Ventura, na Zona Oeste do Recife, retornando ao hospital devido à gravidade dos ferimentos. Devem ser submetidos a cirurgias neste domingo ou, no máximo, nesta segunda-feira (31).

Segundo as famílias, que se conheceram no HR, os médicos de Altino Ventura já alertaram sobre o risco de perda de visão devido às lesões provocadas no globo ocular das duas vítimas. As duas famílias garantiram que vão denunciar os casos na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) e vão pedir ajuda aos vereadores e às pessoas que estavam na manifestação e presenciaram a violência.