{"id":10007,"date":"2020-01-22T16:48:41","date_gmt":"2020-01-22T19:48:41","guid":{"rendered":"http:\/\/afogadosonline.com.br\/wp\/?p=10007"},"modified":"2020-01-22T16:48:41","modified_gmt":"2020-01-22T19:48:41","slug":"paulo-diniz-chega-aos-80-anos-e-gravando-musica-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afogadosonline.com.br\/index.php\/2020\/01\/22\/paulo-diniz-chega-aos-80-anos-e-gravando-musica-nova\/","title":{"rendered":"Paulo Diniz chega aos 80 anos e gravando m\u00fasica nova"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/jconlineimagem.ne10.uol.com.br\/imagem\/noticia\/2020\/01\/22\/normal\/eb468177a1bcdbda437cd17ac49ed267.jpg\" alt=\"Paulo Diniz, chegando \u00e0s oito d\u00e9cadas de vida \/ Foto: Max Levay\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"496\" height=\"272\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Sexta-feira, 24 de janeiro, Paulo Diniz, cantor, compositor e ator, nascido em Pesqueira, Agreste de Pernambuco, filho de um padeiro e m\u00e3e costureira, completa 80 anos. H\u00e1 50 anos, ele se tornara um dos artistas da m\u00fasica mais celebrados do pa\u00eds, emplacando sucessivos hits nas paradas de sucesso. H\u00e1 v\u00e1rios anos deixara de ser mais um pau de arara no Rio. Trabalhava na poderosa R\u00e1dio Globo, exercendo a voca\u00e7\u00e3o que descobriu ainda garoto em sua cidade natal. Aos 12 anos j\u00e1 era locutor de difusora, dedicando m\u00fasicas e declamando versos que rapazes dedicavam \u00e0s mo\u00e7as, na pretens\u00e3o de um poss\u00edvel namoro. A voz era bonita, o que n\u00e3o impediu de ser despedido da R\u00e1dio Jornal do Commercio, quando substituiu o locutor do notici\u00e1rio da emissora. N\u00e3o sabia nada de ingl\u00eas, e n\u00e3o tinha ideia como se pronunciava, por exemplo Dwight David Eisenhower, o ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Foi para Fortaleza, onde se deu melhor, e de l\u00e1 para o Rio. N\u00e3o tinha pretens\u00f5es a cantor, embora, pelo trabalho no programa, de imensa audi\u00eancia, de Lu\u00eds de Carvalho, na Globo, conhecesse a maioria dos artistas bem sucedidos, ou os que corriam atr\u00e1s do sucesso. O sucesso que veio at\u00e9 ele por interm\u00e9dio de um i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea, de letra c\u00f4mica, e interpreta\u00e7\u00e3o idem. O que os americanos rotulam de \u201cnovelties\u201d, grosso modo, mistura de novidade e curiosidade. A m\u00fasica, O Chor\u00e3o: \u201cQue coisa engra\u00e7ada, eu, que nunca chorei na vida, fui fazer sucesso por causa de um chor\u00e3o\u201d, brincou Paulo Diniz numa entrevista \u00e0 revista Intervalo, no in\u00edcio de 1967.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Naquela semana O Chor\u00e3o era uma das quatro m\u00fasicas mais tocadas no pa\u00eds. A can\u00e7\u00e3o composta em alguns minutos por Edson Braga e Lu\u00eds Keller, levou-o a gravar o primeiro LP, que n\u00e3o teve o mesmo destino. A m\u00fasica tinha pouco a ver com ele, mas foi neste disco que inaugurou parceria com Odibar, com quem faria quase todos os seus sucessos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\"><strong>SOLAR<\/strong> &#8211; Com o dinheiro ganho com O Chor\u00e3o, Paulo Diniz comprou um Fusca. Um dia parou o carro diante do Solar da Fossa, imensa casa de c\u00f4modos de luxo, no in\u00edcio de Botafogo, onde morava a nata art\u00edstica e cultural do Rio, de Caetano Veloso a Paulinho da Viola, de Gal Costa a Nan\u00e1 Vasconcelos, de Paulo Leminski ao radialista e produtor Adelson Alves (O casar\u00e3o anos depois seria demolido. No local foi constru\u00eddo um shopping center). A conviv\u00eancia com tantas cabe\u00e7as pensantes, conversas, novas m\u00fasicas, instigou Paulo Diniz a criar com Odibar um estilo pr\u00f3prio, que n\u00e3o se inseria em nenhuma tend\u00eancia da MPP na \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">A mais marcante de suas composi\u00e7\u00f5es foi inspirada por textos que Caetano Veloso escrevia, de Londres, para o seman\u00e1rio O Pasquim: \u201cA musiquinha se chama I Want to Go Back to Bahia, foi composta e \u00e9 cantada por um cara novo, Paulo Diniz &#8230; Como geralmente acontece com m\u00fasicas que citam este jornaleco, parece que o neg\u00f3cio de Diniz j\u00e1 \u00e9 sucesso. Quest\u00e3o de destino\u201d, escreveu Luis Carlos Maciel, guru do underground nacional, na sua p\u00e1gina em O Pasquim. Wilson Simonal queria gravar a m\u00fasica. Paulo Diniz achou que emplacaria com a m\u00fasica. Acertou em cheio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\"><strong>O DEPOIS<\/strong> &#8211;\u00a0<\/span><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Paulo Diniz contraiu esquistossomose num banho de rio, provavelmente no interior de Minas Gerais, terra de sua ex-mulher, com quem casou no auge do sucesso. A doen\u00e7a demorou a se manifestar, mas com o passar dos anos o levaria a praticamente encerrar a carreira, pela impossibilidade de se locomover, empreender viagens longas. Paulo Diniz at\u00e9 ironiza: \u201cEu passei por tudo, peguei todas as drogas, e acabo de cadeira de rodas por causa de um banho de rio\u201d. Durante quatro anos da d\u00e9cada de 70 foi tocado Brasil afora com Pingos de Amor, Um Chope pra Distrair, Jos\u00e9 (melodia sua sobre o poema de Carlos Drummond de Andrade), Ponha um Arco-Iris na Sua Moringa, Meu amor Chorou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Muitas destas m\u00fasicas tem suas hist\u00f3rias. Pingos de Amor, por exemplo, ele conta que fez pensando em Wilson Simonal, que n\u00e3o se interessou pela can\u00e7\u00e3o, que estourou com Paulo Diniz, e anos mais tarde, com Paula Toller.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Em 1978, Paulo Diniz estava morando no Recife, compondo com o poeta Juareiz Correia, com quem empreendeu uma viagem a p\u00e9 para Juazeiro do Norte (CE). Uma caminhada de 36 dias. A m\u00e3e queria batiz\u00e1-lo como C\u00edcero, em homenagem ao padre. Na inf\u00e2ncia tinha o apelido de Cicinho. A ideia da viagem veio neste retorno ao Recife. Com Juareiz, produziu a I Cantoria da M\u00fasica Nordestina, festival realizado no Teatro do Parque, no mesmo ano (vencido por Bubuska Valen\u00e7a, com Sert\u00e3o, Pedra, Pau e Poeira. Foi lan\u00e7ado um LP do festival).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Nesta \u00e9poca, Paulo Diniz descobriu e gravou v\u00e1rios compositores locais, Numa de suas idas ao Rio, no final dos nos 70, explicou, em entrevista ao Jornal do Brasil, seu \u201csumi\u00e7o\u201d: \u201cDepois de uma experi\u00eancia no Rio, achei melhor voltar ao Nordeste, e trazer os valores de l\u00e1, desprezando as influ\u00eancias da soul music e resqu\u00edcios de cidade grande. Voltei definitivamente para minha casa, minha terra, meu pa\u00eds, que \u00e9 o Recife. Como Nordestino pobre, tive dificuldades de frequentar escolas. Sou um autodidata e somente agora estou vendo a vida com uma certa clareza, e tendo uma defini\u00e7\u00e3o nos meus caminhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Para mim est\u00e1 aberta a porteira. Eu vou entrar para o oco do mundo\u201d. A doen\u00e7a contra\u00edda anos antes o impediu de \u201centrar no oco do mundo\u201d, pelo menos com o pique que preconizava na entrevista. Ele tentou tanto a medicina convencional quanto a espiritual, mas \u00e0 medida que os anos passaram a doen\u00e7a progrediu. O \u201c\u00edndio\u201d alto e forte de Pesqueira locomove-se hoje em cadeira de rodas, faz poucos shows. Continua a compor, mas \u00e9 muito cr\u00edtico consigo mesmo, confessa gostar pouco das novas m\u00fasicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Mesmo assim no final de 2019, voltou ao est\u00fadio. No Carranca gravou uma can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, que pretende lan\u00e7ar como single. \u201cA fome, a falta de amigos, e a solid\u00e3o, me levaram \u00e0 trilha em que estou hoje. Aprendi muita coisa, pesquisei, ouvi muito som, e chego \u00e0 conclus\u00e3o de que nasci agora. Tenho que aproveitar o tempo que me resta. Vou viver 58 anos\u201d, disse na citada entrevista \u00e0 Intervalo, em 1970. Viveu bem mais. Inteira os 80 como um dos grandes da m\u00fasica pernambucana e brasileira.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-feira, 24 de janeiro, Paulo Diniz, cantor, compositor e ator, nascido em Pesqueira, Agreste de Pernambuco, filho de um padeiro e m&atilde;e costureira, completa 80 anos. H&aacute; 50 anos, ele se tornara um dos artistas da m&uacute;sica mais celebrados do pa&iacute;s, emplacando sucessivos hits nas paradas de sucesso. 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