Municípios do Rio Grande do Norte apostam no rádio para manter ensino durante a quarentena

O rádio foi o meio encontrado pela Secretaria de Educação do município para alcançar alunos sem acesso à internet durante a quarentena. Em Serra Negra do Norte, onde a zona rural se estende até a fronteira com a Paraíba, cerca de 160 estudantes, dos 2 aos 16 anos, residem em áreas onde o sinal de internet, muitas vezes, é suficiente apenas para enviar mensagens no WhatsApp de alguns pontos específicos da casa. O secretário de Educação do município, Petrucio Ferreira, contou que, ao ver que as aulas ficariam suspensas por mais tempo do que os quinze dias estipulados inicialmente pelo decreto governamental, começou a procurar formas de alcançar o maior número possível de estudantes, para que eles não ficassem privados das aulas. “O aluno que não tem acesso à internet tem um radinho de pilha dentro de casa. Isso é muito costumeiro, principalmente na zona rural”, contou Ferreira. Ele procurou, então, a única rádio do município, a Princesa da Serra, que ofereceu gratuitamente o horário das 15 horas para as transmissões diárias. O programa, com duração de uma hora, foi batizado de Educa Quarentena e também é veiculado pelo Facebook.

“No começo foi muito ruim deixar a escola, mas depois eu me acostumei. A aula pelo rádio foi um incentivo muito grande, eu senti que ainda tinha muita coisa para aprender. Agora vou voltar”, conta Emília que, juntamente com Maria Vitória Gomes, mãe e filha, sentam em uma mesa no canto do quarto que dividem e sintonizam o rádio na frequência 104,9, a Rádio Princesa da Serra. Vai começar a aula. Enquanto Maria Vitória, de 4 anos, começa a reconhecer as formas das letras do alfabeto, o “ABC”, como ela chama, Emília Gomes, 20, presta atenção nas lições de ciências, suas favoritas, transmitidas no rádio pelos professores do município de Serra Negra do Norte.

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