Assembleia Legislativa de Pernambuco debate tema da Campanha da Fraternidade

Grande Expediente Especial: Campanha da Fraternidade terá políticas públicas como foco

“Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is. 1,27). Esse é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, que propõe reflexão sobre a importância de participar da elaboração e do acompanhamento de políticas públicas. Nesta quinta (21), a Assembleia Legislativa realizou Grande Expediente Especial para debater a ação, com a presença da comunidade católica. A iniciativa foi da deputada Teresa Leitão (PT).

Lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no último dia 6, a edição deste ano trabalhará o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. De acordo com texto-base da campanha, o objetivo é “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade”.

Ao abrir a solenidade, o deputado Doriel Barros (PT) elogiou a escolha do tema. “O Papa Francisco já alertou que não devemos fazer como Pilatos e lavar as mãos. Devemos nos envolver na busca do bem comum”, destacou. O parlamentar pontuou, ainda, a contribuição da Igreja Católica nas políticas públicas, relatando ações que foram feitas em parceria com a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape).

Também elogiando o tema, Teresa comentou que “a campanha deste ano trata de algo que tem muito a ver com o exercício político”. Nesse sentido, elencou os objetivos específicos presentes no texto-base. “De que valerá uma Constituição Cidadã se não há medidas concretas em prol da cidadania? Sobretudo no momento em que estamos vivendo, é preciso refletir sobre o direito e a justiça”, declarou, ressaltando a dimensão social da Igreja.

ARCEBISPO - “Precisamos superar todo tipo de individualismo, de egoísmo, e apontar para o valor da coletividade”, defendeu Dom Fernando Saburido. Foto: AlepeO arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, resgatou o histórico da Campanha da Fraternidade, iniciada nacionalmente em 1964. “Precisamos superar todo tipo de individualismo, de egoísmo, e apontar para o valor da coletividade”, pediu. Acerca do maior envolvimento em políticas públicas, defendeu que “a Igreja precisa formar lideranças para compor conselhos e participar dos debates, atuando em defesa de todos”. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que expõem a desigualdade social foram lamentados pelo religioso. “Somente o pecado da ambição e o egoísmo podem explicar essa barbárie”, avaliou.

Afirmando que “o Brasil vive hoje um retrocesso, com a retirada de direitos”, o diácono Jaime Bomfim também defendeu a participação e o envolvimento nos temas de políticas públicas. Do Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), Alexandre Fragoso ressaltou o papel da Constituição Federal no norteamento de políticas públicas. “Por isso é fundamental a consolidação de ações importantes, que devem ser transformadas em políticas de Estado”, frisou. “A partir do golpe, o que vimos nesse País foi um movimento de retirada de direitos que precisamos combater. E é nesse momento que o envolvimento nas políticas públicas é mais importante.”

O retorno à Constituição também foi centro do discurso do coordenador da Cátedra Dom Hélder, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), o professor Manoel Moraes. “Precisamos dialogar sobre direitos humanos, que não são contra ninguém, mas a favor da vida”, ressaltou. Também lamentou a assinatura de decreto sobre armas pelo presidente Jair Bolsonaro. “Várias medidas estão sendo adotadas sem atenção ao povo. Estamos à beira de uma crise social muito grande. Esta semana vivemos momentos difíceis, com boatos de que ocorreria na Universidade tragédia semelhante a que viveu a escola em Suzano (SP)”, relatou.

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