Comissão de Agricultura discute Projeto de Integração do Rio São Francisco em Floresta

ESTIAGEM - Durante a audiência, a população, que sofre com a seca há seis anos, denunciou não estar sendo beneficiada com a Transposição do Rio São Francisco. Foto: Rinaldo Marques

Os efeitos do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf) na perenização do Riacho do Navio, em Floresta, foram discutidos em audiência pública, nesta terça (28), na Câmara de Vereadores do município. O encontro foi solicitado pelo presidente da Comissão de Agricultura, deputado Claudiano Martins Filho (PP). O deputado Rodrigo Novaes (PSD), que comandou o debate, destacou a necessidade de revitalização e modernização da barragem Barra do Juá para que seja receptora da barragem Muquém, também em Floresta. Sofrendo com a seca há seis anos, a população local denunciou não estar sendo beneficiada com a transposição do Velho Chico.

“Vamos nos unir pra reivindicar que essa água possa ser usada pelo povo florestano. É preciso haver um volume que torne possível, ao menos, a pesca e a subsistência das pessoas da região”, alertou Novaes, que encomendou laudo técnico ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), para atestar a capacidade de funcionamento de Barra do Juá. Além de se comprometer a averiguar os reparos necessários para a barragem, o coordenador do Dnocs estadual, Marcos Rueda, sugeriu a ampliação do debate. “Que se convoque também o Ministério da Integração, a Codevasf e a Apac”, frisou.

Maria da Guia, vice-presidente da Associação dos Pescadores, relatou alguns problemas enfrentados por pessoas que só viviam da pesca: “Temos mais de 30 famílias sofrendo muito. Elas não têm condições de sair da Barra do Juá e pescar no São Francisco. Estão perdendo seus benefícios junto à Previdência porque estão há anos sem exercer as atividades”. Ricardo Souza, coordenador do Conselho dos Usuários do Açude Barra do Juá, condenou a possibilidade de os moradores terem de arcar com a água que antes consumiam gratuitamente. Segundo ele, “90% dos produtores de Riacho do Navio são agricultores familiares. Eles deveriam ter algum tipo de concessão para não pagar nada”, pontuou.

“Pagar água onde já se vive castigado com a seca é o pior crime que pode acontecer nesse momento”, completou o presidente da Câmara Municipal, o vereador Beto Souza. Sobre o assunto, o representante da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Sérgio Torres, explicou que o “município não tem água, tem terra”. “Se o rio percorre mais de um Estado, o curso d’água pertence à União. No caso de Pernambuco, a gestão vai ter que definir qual operador estadual fará a mediação entre os usuários e a esfera federal. A Compesa é um deles”, observou. Rodrigo Novaes apoiou a ideia de criar uma tarifa social de irrigação para terrenos de até um hectare. “Vou levar a proposta ao Governo Federal”, enfatizou.

Projeto da Transposição – Considerado o maior empreendimento hídrico do País, o Projeto de Integração do Rio São Francisco pretende beneficiar 12 milhões de brasileiros. A construção, que recebeu o investimento de R$ 9,6 bilhões, terá 477 quilômetros de extensão e vai abastecer 390 cidades de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

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