Promotor Marcellus Ugietti nega mais uma vez acusações de corrupção

Promotor falou mais uma vez em coletiva para a imprensa e negou acusações de facilitar transferência de presos. Foto: Thalyta Tavares/Esp DP

Na presença de amigos e do seu advogado, o promotor Marcellus Ugietti concedeu na manhã desta quinta-feira (9) uma coletiva para a imprensa, onde negou mais uma vez as acusações de corrupção que vem sendo feitas contra ele pela Polícia Civil, na Operação Ponto Cego. Visivelmente abatido, Ugietti recebeu os repórteres numa sala de reunião no Shopping Riomar, no Pina, e negou qualquer envolvimento com o crime organizado. "Nunca em 33 anos de profissão no Ministério Público de Pernambuco me envolvi com qualquer orgnização criminosa. Já poderia ter me aposentado em 2015, mas continuo atendendo centenas de familiares de presos, advogados e pessoas que precisem falar comigo. Não sou colaborador nem adepto de qualquer organização criminosa", ressaltou o promotor, que foi afastado do cargo por suspeita de facilitar transferência de presos.  

O advogado Emerson Leônidas, que defende o promotor, disse que não há provas consistentes contra Marcellus Ugietti e pediu que se a Polícia Civil tiver alguma interceptação de conversa telefônica que comprometa a idoneidade do seu cliente que apresente logo. "Queremos que o caso saia da expeculação e vá para o concreto e esse pesadelo acabe", completou. Marcellus Ugietti negou receber qualquer quantia financeira para facilitar a transferência de detentos no sistema penitenciário de Pernambuco. No entanto, admitiu que vez por outra familiares e advogados lhe entregavam na própria vara, bolos de rolo e canecas do seu time, o Santa Cruz, mas que isso, não configura corrupção. "Corrupção é uma via de duas mãos. Nunca prometi nada relacionado aos presentes. O que recebi por gentiliza, dividia com a equipe", garantiu.

Quanto ao fato de a Polícia afirmar que ele é citado como "anjo" pela quadrilha, justamente por favorecer advogados e detentos, o promotor alegou que várias pessoas também o chamam assim, inclusive profissionais da imprensa. "Prefiro ser chamado de anjo do que de diabo. Se forem no meu WhatApp vão ver que muitos me chamam assim. E isso também não é indício de crime", argumentou.

O promotor denunciou ainda que a polícia agiu com truculência quando fez a abordagem em sua residência na sexta-feira da semana passada para cumprir o mandado de busca e apreensão. "Eles não precisavam ter tratado minha família daquele jeito, mesmo que todos fossem bandidos. Órgãos investigadores não deveriam agir assim com ninguém", comentou, lembrando que os policiais chegaram colocando a mão no olho mágico da porta da casa. O irmão dele foi pegar a chave do apartamento para abrir e quando chegou já encontrou a porta arrombada. "Meus três netos estavam dentro de casa", contou com os olhos cheios de lágrimas. O advogado Emerson Leônidas informou para a Imprensa que está tentando marcar o interrogatório do promotor para esta sexta-feira (10).

A assessoria de Comunicação Social da Polícia Civil informou que o mandado de busca foi cumprido pelo próprio MPPE e que a polícia somente deu apoio necessário. O inquérito não encontra-se mais com a Polícia Civil. As investigações foram repassadas para o MPPE, assim que foram encontrados indícios da participação do promotor, que detém foro privilegiado. Portanto, a Polícia Civil não se pronuncia mais a respeito do caso.

(Com informações da repórter Anamaria Nascimento - Diario de Pernambuco)

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